Rádio ANJ - Ouça: Pop Alemão

Blog

10/07/2016

Propaganda Enganosa

Meu nome é AD Junior, sou mineiro de Juiz de Fora e tenho 30 anos. Como especialista em Marketing Digital, vlogger e blogger, já trabalhei para vários startups e hoje tenho meu próprio negócio. Estudei nos Estados Unidos e na Alemanha e recebi um convite do “Alemanha nos Jogos” para contar um pouco da minha experiência em Hamburgo.

Bom, a verdade é que entre Hamburgo e eu não foi amor à primeira vista. Eu, que nunca havia ouvido falar nessa gigante do norte da Europa, fui apresentado a ela há exatamente 8 anos atrás e ela fez questão de se mostrar naqueles dias que está se fazendo de difícil; Era uma tarde cinzenta de agosto, havia chovido e estava ventando – eu particularmente achei tudo cinza. Mas era propaganda enganosa.
Nesta cidade de mais de 1,7 milhões de habitantes, alguns vem pelo trabalho, outros pela família, outros tantos vem realizar o sonho de viver aqui na Europa. Já eu, vim pelo amor. Conheci o meu parceiro um ano antes de vir, nos apaixonamos e voilá, aqui estava eu chegando ao segundo maior porto da Europa.

O Porto de Hamburgo, no norte da Alemanha, é um dos mais importantes da Europa ©Colourbox

O Porto de Hamburgo, no norte da Alemanha, é um dos mais importantes da Europa ©Colourbox

Misturas, Cheiros e Sabores – Uma vez matriculado na escolar de alemão, demorei nove meses para aprender o básico da língua e esse foi um momento muito intenso e importante, a orientação. Eu tinha aulas de 9:00 às 13:30, de segunda a sexta e gastava mais duas ou três horas em casa estudando – Tentando quebrar o gelo, como alguns amigos diziam na época.
O alemão não é uma língua complicada. Suas regras podem parecer indecifráveis, mas uma vez que você começa a entender e aprender a ler as coisas começam a ficar coloridas. E foi exatamente 9 meses após minha chegada que, já podendo entender a língua alemã, eu comecei a experimentar as cores e os sabores da Alemanha. Hoje eu acho o alemão uma língua bonita. Juro.

Aprender alemão vale a pena, segundo o mineiro de Juiz de Fora ©Colourbox

Inicialmente há um inevitável choque de culturas, a comparação e o desgaste ao tentar entender tudo. Mas não é uma via de mão-única, se você der sorte, seu companheiro e seus amigos alemães vão também começar a adquirir manias brasileiras e/ou entender ideias de nossa cultura. No meu caso é quase sempre uma troca.

Efeito Alemanha – Acho imprescindível visitar museus, conhecer os lugares e mergulhar na cultura sem preconceitos…vá fundo! Talvez seja essa a minha principal dica, jogue todas aquelas pré-concepções fora e tente entender como funciona o país a partir daquilo que você gosta: curte música? Conheça as música alemãs. Curte livros, filmes, feiras? Faça o mesmo. Você vai passar pelo desespero com a burocracia, vai se maravilhar com a pontualidade, se irritar com alguns gostos esquisitos, vai passar a prestar mais atenção em cada espaço com grama e de repente terá uma súbita vontade de sentar e fazer um churrasquinho no parque. Estranho não? É o efeito Alemanha.

Eu gosto de viver aqui por conta da quantidade de pessoas de todos os quarto cantos do mundo que vivem nessa cidade: Em Hamburgo tem desses momentos em que você se pega papeando com um amigo do Tibet num restaurante vietnamita, enquanto espera a sua amiga do Quênia que está atrasada, pois o marido polonês-alemão chegou atrasado para cuidar da criança para que ela pudesse encontrar conosco para tomar uma cerveja preta. Sim, acontece.

Pode também rolar uma festa junina no Parque Municipal ou uma roda de samba genuinamente brasileira, executada por um pernambucano, um paulista e um carioca, Além é claro do famoso forró da Ivoneide. Todos os sotaques estão aqui e quando bate aquela saudade de casa não tem jeito. É usar o que estiver a mão: Facetime ou Whatsapp, ou o telefone mesmo.

Contando Vantagem – Não precisar ir a uma balada gay para encontrar uma paquera é algo que meus amigos gays aqui sempre contam como vantagem. Eu contaria como vantagem a liberdade de viver em um prédio cheio de idosos simpáticos e um casal de africanos (cristãos) e outro de indianos (ateus) que não deixam de perguntar: “ E o outro senhor Dos Santos, como está?” – Percebo uma maior tolerância e uma leva despreocupação com as regras do meu quarto.

Talvez, o que mais me impressione em viver aqui na Alemanha, é observar que minha cor nunca foi empecilho para conquistar boas chances no mercado de trabalho, apesar de saber que aqui também não é uma paraíso racial – que fique bem claro – mas eu me sinto bem aqui.